ENTENDENDO A DOENÇA DE PARKINSON
A doença de Parkinson (DP) é uma condição neurológica crônica e progressiva que afeta o sistema nervoso central¹. Ela ocorre principalmente devido à perda gradual de neurônios que produzem dopamina, localizados em uma região do cérebro chamada substância negra. Também é marcada pelo acúmulo anormal da proteína α-sinucleína, formando estruturas chamadas corpos de Lewy². Embora sua causa ainda não seja totalmente compreendida, acredita-se que a doença resulte da combinação de fatores genéticos e ambientais³.
A DP é atualmente a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo4. Nas últimas décadas, houve um aumento expressivo no número de casos, que passou de pouco mais de 3 milhões em 1990 para quase 12 milhões em 2021, em nível global5. No Brasil, embora ainda não existam dados totalmente precisos, estimativas recentes indicam que cerca de 0,84% das pessoas com 50 anos ou mais viviam com a doença em 2021, com projeção de 0,89% em 2024, o que corresponde a aproximadamente 535 mil casos no país6. As estimativas também apontam crescimento contínuo nas próximas décadas, podendo ultrapassar 1 milhão de casos até 20466. Tanto em nível mundial como no Brasil, a DP é mais comum em homens e se torna mais frequente com o avanço da idade 5,6.
A DP apresenta sintomas motores e não motores, que variam entre os indivíduos. Os principais sintomas motores são bradicinesia, rigidez e tremor, podendo também ocorrer instabilidade postural, alterações da marcha, como o “freezing” (congelamento), distúrbios da fala e alterações do piscar e dos movimentos oculares2,7. Além disso, a doença envolve sintomas não motores, como alterações cognitivas, distúrbios do sono, depressão, fadiga, alterações gastrintestinais e sensoriais8.
Com a progressão da doença, os sintomas tornam-se mais evidentes e passam a comprometer as atividades de vida diária, a mobilidade e a independência funcional dos indivíduos9,10. Esse caráter progressivo destaca a importância do acompanhamento multiprofissional e da adoção de estratégias terapêuticas voltadas à manutenção da autonomia e funcionalidade.
Embora ainda não exista cura para a DP, o tratamento envolve terapia medicamentosa (principalmente a levodopa)11, intervenções cirúrgicas, como a estimulação cerebral profunda12, e abordagens não farmacológicas, como fisioterapia, exercícios físicos e programas de reabilitação13, que desempenham papel fundamental no manejo dos sintomas e na preservação da capacidade funcional ao longo da evolução da doença.
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